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VEJA POR QUE O BRASIL OCUPA SEGUNDO LUGAR EM NÚMERO DE MORTES POR DIABETES NÃO DIAGNOSTICADA: APRENDA!

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

08/11/2023

Apesar
do número alarmante de casos de diabetes no Brasil, prevalece a falta
quase completa de informações sobre a doença, o que prejudica os
pacientes e aumenta os riscos de complicações.

De acordo com a presidente do Instituto Diabetes Brasil,
Jaqueline Correia, o País tem hoje 588 mil pessoas diagnosticadas com
algum tipo de diabetes. Destas, 30% são jovens entre 13 e 16 anos que já
sofrem com comorbidades.

O presidente da Associação
Nacional de Atenção ao Diabetes, Fadlo Fraige, complementa que o número
de diabéticos sem diagnóstico corresponde à metade do número de
pacientes conhecidos.

Essa falta de informação é preocupante, pois o diabetes pode
causar uma série de complicações graves, como doenças cardiovasculares,
cegueira, insuficiência renal e amputações.

De acordo com o coordenador-geral do Fórum Intersetorial para
Combate às doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, Mark Barone,
hoje o Brasil é o segundo país no mundo com maior número de mortes em
decorrência de diabetes tipo 1 não diagnosticado.

A doença também é responsável por uma redução expressiva na
expectativa de vida do paciente. “Pessoas com diabetes de tipo 1 que
recebem o diagnóstico com 10 anos de idade, em media, têm redução de 25
anos na expectativa de vida, isso significa que essas pessoas têm
expectativa de vida de 52 anos”, disse Barone.

Para o especialista, a situação é ainda pior dependendo da
região. Em alguns estados brasileiros, segundo ele, pessoas com diabetes
podem ter uma redução de 48 anos no período de vida saudável.

Complicações de saúde

As complicações de saúde mais comuns em decorrência do diabetes
são as doenças cardiovasculares. De acordo com Fadlo Fraige, 50% das
mortes por causas cardiovasculares no Brasil decorrem da doença.

Outro problema recorrente em diabéticos é a cegueira. E nesse
caso a falta de informação representa um fator determinante. A
vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Solange Travassos,
apresentou dados segundo os quais metade dos pacientes não sabe que
podem ter retinopatia em função da doença.

Entre 70 a 90% dos diabéticos receberam o diagnóstico de doença
da retina no primeiro exame, quando o problema já é grave, e pode levar à
cegueira, relatou a médica. “Como é que ela vai fazer o rastreamento
anual se ela nem sabe que isso [retinopatia] existe?”, questionou
Solange.

A melhor forma de evitar o desenvolvimento de doenças em
diabéticos é o tratamento preventivo, principalmente por meio de dietas e
insulina, enfatizaram os participantes da audiência pública.

Adesão ao tratamento

No caso do diabetes de tipo 1, a coordenadora do departamento de
saúde da Sociedade Brasileira de Diabetes, Karla Melo, sustenta que o
mais importante é garantir a adesão do paciente ao tratamento. Para
isso, ela sugere que o acompanhamento seja feito por equipes de saúde da
família, e não pela atenção especializada como ocorre atualmente.

“Todos sabem que tratar bem custa menos que tratar complicações, [que custa] 20 ou até 30 vezes mais”, disse Karla.

Quanto ao diabetes tipo 2, Karla Melo afirma que é necessário
prevenir a obesidade e tratar o pré-diabetes. Para isso, uma das medidas
que ela defende é a inclusão de nutricionistas e professores de
educação física nas equipes de saúde da família.

Relatório médico

Os debatedores também foram unânimes em pedir o fim da
necessidade de apresentação de um relatório médico a cada três meses
para receber o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Levimar Araujo,
disse aos deputados que São Paulo aprovou uma lei que garante ao
paciente somente um relatório por toda a vida.

Autora do pedido para a realização do debate, a deputada Flávia
Morais (PDT-GO) se comprometeu a buscar uma solução para o problema. Ela
disse que nos próximos dias deve se reunir com a ministra da Saúde e
vai reforçar a necessidade de se combater a burocracia.

Com informações da Agência Senado

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