Foto: Rafael Arbex|Estadão
atendimentos médicos e odontológicos privados dentro de presídios de São
Paulo, inclusive para fazer procedimentos estéticos.
feita pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo na
investigação da Operação Scream Fake (falso grito, em inglês).
Médicos e dentistas sem vínculo com o crime organizado teriam
sido cooptados para consultas particulares e exclusivas de detentos
faccionados e custodiados na Penitenciária II de Presidente Venceslau e
no Centro de Readaptação Penitenciária, em Presidente Bernardes, unidade
em que vigora o Regime Disciplinar Diferenciado, mais rígido.
As consultas beneficiariam chefões do PCC, em uma espécie de “plano
de saúde do crime organizado” – um plano “bastante seletivo”, de acordo
com a Polícia e o Ministério Público, que daria direito a procedimentos
variados, como intervenções estéticas e até cirúrgicas.
Os profissionais seriam pagos com recursos do caixa da facção. A
investigação apontou que eles recebiam valores “majorados e
expressivos”, acima do mercado, repassados por depósitos não
identificados e transferências bancárias de contas registradas em nome
de terceiros ou de advogados ligados ao PCC.
Os investigadores afirmam que, muitas vezes, os atendimentos
ocorriam sem que o preso tivesse conhecimento sobre valores ou forma de
pagamento. Para a Polícia Civil e o Ministério Público, a dinâmica
comprova que os atendimentos são coordenados e executados pela
organização criminosa em benefício de integrantes qualificados,
normalmente faccionados em funções de destaque.
“Assim,
a investigação comprovou, mais uma vez, que a facção financia
atendimentos de saúde a alguns de seus integrantes, realizando o
pagamento de tais serviços, com sobrepreço, através dos recursos obtidos
junto ao seu caixa ilegal, alimentado com valores obtidos através das
práticas criminosas que desenvolve”, dizem os investigadores.
A Operação Scream Fake, deflagrada nesta terça-feira, 14, mira
uma ONG que teria sido usada pelo PCC para espalhar denúncias falsas de
abusos no sistema prisional e “colocar a opinião pública contra o poder
estatal”.
Estadão Conteúdo

