Brasil, 01 de Março de 2024

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Com
posse do número de CPF, informação fornecida pelos consumidores para
ganhar desconto, as empresas mantêm bancos de dados com até 15 anos das
compras — do cotonete ao remédio de tarja preta — feitas por 48 milhões
de pessoas no Brasil.
A jornalista Amanda Rossi,
responsável pela matéria intitulada “O que a farmácia sabe sobre mim?”,
esclarece: “O desconto [do CPF] não é real. Eu afirmo categoricamente
[…] O preço mais próximo do real é aquele que você paga depois que
você dá o CPF”.
Ela dá o exemplo de uma caixa com 12 comprimidos de um genérico
do anti-inflamatório nimesulida. Custava R$ 31,78 na RaiaDrogasil, em
São Paulo, sem o CPF, em agosto de 2023. Já com o CPF, o preço
despencava para R$ 8,50. Um desconto tentador de 73%.
Já uma rede de hospitais privados pagou R$ 4,39 pela mesma caixa
de nimesulida. Órgãos públicos, por sua vez, adquiriram o mesmo produto
por R$ 1,08. “Os R$ 31,78 da tabela que as farmácias cobram […] só
estão lá para você dar o CPF”, resume.
E o CPF alimenta o banco de dados das farmácias e é a base de uma
operação para a maior rede de farmácias do país, a RaiaDrogasil, ganhar
dinheiro com anúncios.
Uma subsidiária da empresa, chamada RD Ads, é contratada por
anunciantes que querem direcionar sua propaganda para públicos
específicos, conforme as compras na farmácia.
Quem toma antidepressivo, por exemplo. Esse grupo é identificado
na base de dados da farmácia. Depois, começa a ver a propaganda não só
no site da farmácia, mas nas redes sociais e no YouTube. Segundo o CEO
da RD Ads, 97% dos clientes da RaiaDrogasil se identificam.
A ideia é que a farmácia se torne concorrente do Google e da Meta
pelo mercado publicitário. Com a diferença, alerta Amanda Rossi, que a
RD Ads usa para isso dados de saúde.
“A Lei Geral de Proteção de Dados diz que dado de saúde e de
comportamento sexual são os que precisam ser mais protegidos. São
chamados de dados sensíveis.”
Em nota para a reportagem, a RaiaDrogasil disse que “não
condiciona concessão de descontos à identificação pessoal” e que os
descontos são “reais”.
Em todas as unidades visitadas pela reportagem,
no entanto, foi informado que o desconto só seria concedido se fosse
informado o CPF.
Com informações de UOL

